terça-feira, 28 de setembro de 2010

Alice às avessas.

{Escrito em 15 de setembro de 2010]


Faz um tempo desde o meu último livro e dos minutos sorrindo para o monitor. Nem se fala então dos dias em que veio na cabeça uma história pra contar. Mas hoje quando pela milésima vez mudou a data da apresentação de um dos meus trabalhos mais importantes passei a querer entender tudo o que acontece e porque a vida faz esse jogo comigo.

Quando em dois mil e sete nossa vida se cruzou naquele sonho do banheiro que você teve eu achava que essa altura toda não comportava nada de melhor mesmo, por isso o sonho tinha sido tão ruim. Passaram doze meses e nossa vida se cruzou de novo com uma ligação estranha que eu nem sou capaz de explicar, mas posso lembrar como se fosse ontem o dia que dormimos abraçados em cima do capô de um carro depois de uma briga sem motivo e os dias que passávamos naquela garagem onde o vento não nos alcançava. Era um lance em que não havia o lance em si, mas o conforto do seu silêncio era tão grande que eu poderia passar a vida toda calada.

Não sei, depois não quis mais saber, quis colocar um pouco de barulho e perturbar a vida, o conforto era tanto que só podia ser mentira.

Mas sei que alguém estava certo quando me disse que tudo que a gente não termina um dia aparece novamente. Não é que é verdade?

Hoje aprecio o silêncio e aprendi a conviver com o conforto do vazio sonoro, mas de vez em quando faço soltar umas palavras pra perturbar um pouco e sentir vontade de fazer as pazes.

Parei de achar o sonho sem sentido e tenho vontade de torná-lo realidade.

Quem esperaria isso dessa vida? Quando a sensação de vácuo me enche o coração.

Mas descobri que o que completa realmente é essa coisa de não querer, não esperar e não forçar acontecer.

De vez em quando aparece o caracol, as vezes um choro de neném e até um miado de gato, tudo isso pra mostrar que é possível viver no pais das maravilhas sem ter que cair num buraco sem fim.

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