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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Saudação Matinal

Sabe, num período um pouco nublado e com muitas tempestades, descobri uma das coisas que me fazem sentir vontade de levantar todas as manhãs e seguir em frente, mesmo que seja para encarar situações que não suporto mais.

Chega normalmente depois do café preto matinal que me faz companhia enquanto aguardo ansiosa a definição do que vai ser daquele instante até a hora em que colocarei novamente a cabeça no travesseiro para dormir e começar tudo de novo. A mesa recebe uma vibração e declara que chegou. A mensagem. O “Bom Dia”. Agora sim. Qualquer tormento, insatisfação e estresse não conseguirão me afetar totalmente. Duas palavras capazes de estampar sorrisos e dar coragem.

Não digo que é rotina só começar o dia depois que essas palavras chegam. É que, na verdade, necessito delas para ter certeza que posso seguir em frente confiante de que ao menos alguma coisa não está perdida. Um torpedo muda tudo.

Como parte do meu dia e da minha vida, a mensagem e tudo o que vem com ela me transmite paz e preenche o que tiver por dentro. E quem diria, hein? Depois de tantos anos esperando alguma coisa que completasse e desse sentido, uma pessoa e uma mensagem diária acabam com a necessidade de sentido e de entendimento. Quando fica tudo bem, não preciso entender mais nada.

E gosto de dias comuns, domingo na chácara com sol rachando lá fora e a gente do lado de dentro com preguiça do mundo. Sábado de tempestade e nós dois assustados com o barulho do trovão. De sol a chuva, só uma coisa me faz querer esquecer do resto e de todos os podres que vem com ele.

O emissor de duas palavras “mágicas”, estando ou não ao meu lado, transforma a minha vida como se fizesse surgir da cartola a solução pra todos os problemas do mundo.

Mas não é mágica, tampouco a mensagem. O que me faz continuar todas as manhãs após o café preto é a demonstração de que todos os dias faço parte do pensamento dele. E ele do meu. Não só de manhã, mas a qualquer hora, já que sempre é um "Bom Dia" quando se tem uma pessoa que completa tudo envolvida nisso.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Eletro.

Não é nenhuma lei da metafísica que comprova isso, e ninguém que acredita nessa psicoenergia pode confirmar ou desmentir. Mas que todos nós somos ligados a uma só coisa, ou flor, enfim, já está mais do que entendido.

Sei lá se estou acreditando muito nessa coisa de que somos recarregados como se fôssemos baterias que necessitam de dois pólos opostos para obter energia. O que tenho percebido é que adquirimos, mesmo que inconsciente, a energia de outras pessoas e do ambiente, e essa energia, dependendo de como estamos mentalmente, é capaz de mudar da água pro vinho o estado físico e espiritual de cada um, levando à loucura, à ignorância, ao desespero e à atitudes até mesmo positivas, porém, com menos frequência.

Vemos isso a todo instante. Uma ligação é desligada na nossa cara e, através de fios conectores, nosso estado de humor se modifica. Uma palavra mal colocada numa frase, uma porta fechada com mais força, um problema que “necessita” de solução imediata. O dia ficou carregado, nosso corpo não consegue agüentar mais tantas pressões de todos os lados. Ainda bem que tem melhor amiga, melhor ouvido, melhor conselho, melhor abraço. Quem iria secar as lágrimas? Quem iria dividir o peso? Quem pegaria as dores? Se não fossem nossos anjos da guarda com codinome transmitindo positividade, fé, segurança. Esses anjos que chamamos de amigos nos dão a mão, trocam nossas “baterias”, fazem que comecemos outra vez.

Pode ser loucura, mas quem não é um pouco louco? A minha fé é determinada por atos de proveniência positiva, e o mal, que as vezes me atinge, tento manter longe do lugar mais precioso que tenho. Do coração. Onde se encontra nossa mente e nossa alma, ligados pelo universo em um único centro, pode ser em forma de flor, enfim. Sabe, se meu filtro receptor falhar e eu quase cair, espero que por perto tenha alguma força que me levante e me faça continuar, porque nem sempre nosso corpo agüenta tanta energia ruim que depositam em tudo o que é lugar, ambiente e situação e, infelizmente, ninguém está livre disso.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Japonês.

[Esse post não é um texto, uma crônica, uma poesia ou carta de amor. É uma demonstração de amizade e carinho por alguém que faz imensa falta na minha vida.]


Se tem uma coisa que me enche o coração de alegria é saber que tem pessoas que duram mais do que um momento em nossa vida. São essas pessoas que não vem só para passar uma estação ao nosso lado, mas para marcar para sempre nossa história em diversos momentos.
Hoje logo cedo me deparei com uma dessas pessoas que fizeram meu coração sorrir. E foi logo após um dia de nostalgia. De lembranças e saudades de uma época tão boa. Tudo era Fantastic. Inclusive ele.
Era alternativo, tinha o olho puxadinho e era o responsável pela montagem do arco de balões. Eu, mais uma monitora na época. Foi assim, à primeira vista. Já sabia que dali iria sair uma grande amizade.
Foi assim tão sincronizado que não dava para acreditar que nossa amizade seria assim, tão intensa. Foram muitos momentos, muitas conversas, muita vida compartilhada. Muitas risada, abraço, sorriso, arcos, balões, lanchonete, bandejas e salgadinhos e docinhos e brinquedão. Ah, o brinquedão. Esse ouviu muitas coisas.
Nossa amizade é assim. Um tempo longe, depois aparece. E quando vê fica tudo normal.
É amigo, to aqui pra tudo. Pra ouvir atentamente, pra aconselhar, pra abraçar.
Porque sabe, quando meu coração sorri, não há nada que pague isso. Você mora nele sem pagar aluguel.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Estagiário

Para tantas, senão todas as profissões é necessário que exista um “multi-tarefas” para suprir os desfalques de cada área. Esses são os estagiários. Trabalho normalmente operacional, independente do setor, isso porque o estagiário está lá para aprender na prática a exercer uma profissão e se qualificar. Existem diversos tipos deles. Os estagiários que fazem aquilo que mandam e pronto. Os que se esforçam para serem efetivados e fazem além, e os que mais do que estagiários, se tornam amigos.

Tive dois tipos de estagiárias em um período muito curto de tempo, mas como opostos me fizeram entender e admirar a profissão. Essas que teimosas também debateram comigo, auxiliaram meu trabalho em momentos determinantes. Muitos deles fora do âmbito profissional.

Estagiário também atua como conselheiro, acompanhante de festas, medidor de auto-estima, blá, blá blá. Ele, que está ali para ajudar no trabalho, palpitar na vida pessoal, a escolher presentes para o namorado, entre a pousada ou o hotel, a roupa ou o jantar, se vai ou não voltar a procurar aquela pessoa. Estagiário, estagia mesmo na vida. Aprende e ensina mais do que profissão.

Particularmente sou suspeita para falar já que apesar das desavenças tive certa afinidade com minhas duas estagiárias. Porém, só pelo fato de suportarem, normalmente com bom humor, os meus dias nublados já sou inteira admirada. Não é fácil assumir papel de “chefe” e ser obrigada a ser durona quando o coração está feito manteiga derretida.

Mas, separando ou não profissional do pessoal, afinidade com estagiário é uma coisa engraçada. Dá sensação de querer proteger, de aconselhar e querer cuidar. Mesmo que a diferença cronológica seja pouca e o estilo de vida parecido muito temos a conhecer. A vida diferente do nosso dia-a-dia chama a atenção e merece que participemos. É tão gostoso e tão interessante quando além de colegas do trabalho, passamos a estabelecer vínculos mais fortes que ultrapassam as paredes empresariais. É muito mais do que arquivos, e atendimentos e cadastros. É fidelidade, felicidade, festas, fofocas. Estagiário é aprendiz da vida, e quem aprende sempre tem algo a ensinar.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Alice às avessas.

{Escrito em 15 de setembro de 2010]


Faz um tempo desde o meu último livro e dos minutos sorrindo para o monitor. Nem se fala então dos dias em que veio na cabeça uma história pra contar. Mas hoje quando pela milésima vez mudou a data da apresentação de um dos meus trabalhos mais importantes passei a querer entender tudo o que acontece e porque a vida faz esse jogo comigo.

Quando em dois mil e sete nossa vida se cruzou naquele sonho do banheiro que você teve eu achava que essa altura toda não comportava nada de melhor mesmo, por isso o sonho tinha sido tão ruim. Passaram doze meses e nossa vida se cruzou de novo com uma ligação estranha que eu nem sou capaz de explicar, mas posso lembrar como se fosse ontem o dia que dormimos abraçados em cima do capô de um carro depois de uma briga sem motivo e os dias que passávamos naquela garagem onde o vento não nos alcançava. Era um lance em que não havia o lance em si, mas o conforto do seu silêncio era tão grande que eu poderia passar a vida toda calada.

Não sei, depois não quis mais saber, quis colocar um pouco de barulho e perturbar a vida, o conforto era tanto que só podia ser mentira.

Mas sei que alguém estava certo quando me disse que tudo que a gente não termina um dia aparece novamente. Não é que é verdade?

Hoje aprecio o silêncio e aprendi a conviver com o conforto do vazio sonoro, mas de vez em quando faço soltar umas palavras pra perturbar um pouco e sentir vontade de fazer as pazes.

Parei de achar o sonho sem sentido e tenho vontade de torná-lo realidade.

Quem esperaria isso dessa vida? Quando a sensação de vácuo me enche o coração.

Mas descobri que o que completa realmente é essa coisa de não querer, não esperar e não forçar acontecer.

De vez em quando aparece o caracol, as vezes um choro de neném e até um miado de gato, tudo isso pra mostrar que é possível viver no pais das maravilhas sem ter que cair num buraco sem fim.

Lição de Casa.

Esses tempos tive uma grande lição. Aprendi o significado da palavra perder e o significado da palavra perdão. Em síntese, nada se parecem uma com a outra a não ser pela grafia e sonoridade. No dicionário perder significa v. TR 1. Deixar de ter alguma coisa útil, proveitosa ou necessária, que se possuía, por culpa ou descuido do possuidor, ou por contingência ou desgraça. Perdão s. m 1. Remissão de culpa, dívida ou pena. = desculpa 2. Absolvição, indulto. 3. Benevolência, indulgência. interj. 4. Fórmula que exprime um pedido de desculpas. Duas antíteses objetivas. Mas, no modo dialético elas acontecem sob a forma de processos, em constante transformação.

Hoje, após uma semana e a cabeça um pouco mais fria, analisar todo o processo fica um pouco mais fácil. Dizer que aceitar a perda é fácil, é como dizer para um gordo que doce não engorda. Mas essa mesma transformação dialética faz com que analisemos cada etapa para que o que temos, ou melhor, o que perdemos, seja entendido de uma maneira mais clara.

Talvez faltou a ligação no fim da tarde, e a mensagem de boa noite. A demonstração de afeto, de preocupação, de querer bem. Talvez faltou cafuné. Ou não faltou nada. Pode ser que foi descuido deixar por aí, solto. Faltou juízo. Não sei.

Mas, entre tantas faltas, existe a falta que consegue ser maior que todas as outras juntas. A falta da presença, do abraço apertado, do beijo. A falta de saber, só por saber, que hoje é dia de vídeo game, amanhã de academia e na quarta é prova do colégio. A falta de ficar brava, boba, abraçada, encantada.

Descobri o que é perder algo ou alguém que temos nas mãos e temos muito apreço. Descobri que a perca sempre vem associada ao descuido, ao deixarmos solto por aí aquilo que gostamos. Porque se gostamos, outros gostarão e a partir desse momento podemos entregar o que era para ser nosso.

Sabe, as vezes estamos muito fixadas no encantamento que esquecemos que precisamos cuidar, acalentar, alertar, avisar. Quando se vê passou despercebido e tudo continua normal por fora.

Perder, todo mundo perde às vezes. Descuido seu, desconsideração do outro. Mas perder alguma coisa, ou alguém de muito valor ou importância pesa mais. Aperta e dói.

Entendi que a perca tem sua culpa e seu motivo, e por vezes vem acompanhado de ato ou alguém que errou. Nisso conheci uma coisa nova pra mim. O perdão. Poucos tem a virtude de perdoar. Erro. Quem é que não erra? Quem é que não admite erros? Por quê magoar? Perdoar, aprendi. É muito mais bonito, o coração sorri. A segunda chance, vinda do perdão, é muito mais sincera.

Analisando assim, separados, perder e perdão parecem coisas sem ligação nenhuma. Mas uma respectiva à outra, acompanham fases na vida. Primeiro perdemos, por falta, por erros. Depois, perdoamos. Todos merecem segunda chance.

Assim, o coração fica em paz e some o peso. Fica leve. Mesmo que fique faltando alguma coisa, alguém. Sei lá.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A palavra que purifica.

[Escrito em 20 de julho de 2010]

Hoje eu tava por aí no trabalho e me deparei com uma pessoa com a expressão preocupada, meio tchalalá. Me deu uma dó no coração. Era uma garota na melhor fase da vida e já parecia carregar tantos montes de problemas sobre as costas. Perguntei e ela me respondeu que eram acontecimentos comuns do dia-a-dia. Que quando acordamos com a sensação de que será uma droga, o dia é mesmo, independente do que se faça para mudar.
Disse pra ela que não adianta se entregar a essas coisas. A gente atrai aquilo que transmite, se você está com a cabeça baixa pensando na droga de vida que tem, cada vez mais drogas vão aparecer. Seu chefe vai quebrar o dente durante o almoço e dizer que a culpa é do estresse diário e gritar com você porque está estressado com o próprio trabalho e com as coisas que não consegue resolver senão no grito. Um velho resmungão vai ligar e apontar erros que não são seus porque ninguém mais quer ouvir e não tem quem culpar senão ele próprio, então escolhe você pra desabafar poucas e boas até que você mostre o erro dele e o telefone fique mudo porque aquele senhor nada educado desligou na sua cara com medo, ou vergonha, ou ignorância de assumir sua falha.
Querida, você vai acordar e voltar a dormir tentando mandar a preguiça pra um lugar no qual você não vai desejar estar, vai olhar para a cara de sua mãe com um bico de pica-pau igual o do seu pai que não está nem aí há tantos anos e vai lembrar o quanto ele foi sacana e seu humor que já estava numa escala abaixo de zero, vai cair mais ainda. Tudo isso a gente atrai.
Pode ser que uma música, uma pessoa, uma palavra, um abraço, um caderninho e uma caneta, uns rabiscos, alguma ou todas essas coisas juntas consigam arrancar de ti essa tristeza aí na alma. Deixa. Manda de um jeito bem educado, com um sorriso estampado e o peito bem cheio, todas essas drogas pra'quele lugar. Desculpe-me a expressão, garota, manda tudo isso SE FODER.
Ria dos chineses e seus "pleços quatlo leais" , ria com a tia da limpeza, sorria quando um careca aí quiser descontar as coisas em você. Ouve de um lado e deixa sair pelo outro. Purifica esse coração aí. Pedra ninguém quer não, deixa ele voltar a ser brilhante.
A menina, após todo o meu discurso me disse, tão cabisbaixa, que tenta, mas quase não aguenta levantar mais. Olhei bem nos olhos dela, nos olhos que por mais que se arregalem não abrem mais do que o normal e por um instante me calei. Logo após, peguei suas mãos e dei uma boa sacudida mandando toda a urucubaca embora. Olhei novamente e com a maior convicção do mundo falei a ela de sua força, sua imensa força. Que aguenta não só os deslizes, os desfalques, os monótonos, agitados, tristes, e felizes dias. Essa garota tem uma força que aguenta o mundo, que aguenta todas esses montes de problemas e muitos mais e aguenta ainda tudo que de mais vier, mas somente se conseguir se livrar dessas sensações de fim de mundo. Garota, deixe o fim de mundo para 2012, não queira adiantar as coisas.
Calada, a garota me olhou.
Abriu a torneira à sua frente, lavou o rosto e disse para seu reflexo no espelho: Foda-se. Sorriu para mim e eu, refletida no espelho, pude sentir a sujeira que carregava indo água abaixo.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Construtores.

[Escrito em 6 março de 2010]

De vez em quando me bate umas bobeiras e eu tenho a vontade de tentar entender o que se passa nessa vida. Vendo enfim um filme que eu gostaria de ver durante muito tempo, pude compreender realmente o porquê de eu querer tanto ver esse filme. Ele não fugia em nada de minhas expectativas. Nele vi e ouvi o quanto as pessoas são importantes e porque tenho que falar tudo o que achamos delas antes que seja tarde. Pois bem, tenho que falar que descobri como algumas pessoas são realmente essenciais em minha vida e eu estava deixando-as no canto em alguns momentos porque achava impossível juntar tudo numa coisa só. Que erro meu foi deixar de lado pessoas que me fazem tanto bem. Pessoas que ouvem meus choros, meus lamentos, minhas revoltas. Que riem comigo, posam para fotos comigo, se divertem. São amigos que proporcionam viagens inesquecíveis, tanto carnais quanto espirituais. São almas boas enviadas por Deus para deixar minha vida mais colorida.
A importância que meus amigos tem em minha vida não é medida com barômetros ou fitas métricas. não se calcula volume de amor por amigo, muito menos por família escolhida pela gente. Existe gente que entende a barra que era não dormir direito de sexta para sábado e menos ainda de sábado para domingo porque o trabalho era pesado demais e as consequências graves. Esse amigo que abre a janela da oportunidade e te coloca na mesma empresa só para que você se estabilize na vida, e como consequência, esteja mais próximo. Tem amigo que vai para o interior com você no momento em que sua vida tá um caos e passa o ano novo meio emburrado da vida mas depois dá umas boas risadas na ultima noite tomando um vinho quente. Existem aqueles que mantém contato telefônico e dão uma puta duma força que parecem que trocaram sua bateria e agora você pode continuar. Só para esclarecer, todos os outros amigos também recarregam nossa carga, mas amigo telefônico dá outro ar para a bateria somente pelo fato de estar longe. Alguns amigos vivem na memória, arquivo ativo, arquivado mas ativo. Amigos que te lembram de bons sorrisos e deixam boas lágrimas de saudade, mas não por estarem longe, somente pelo falo de não estarem perto.
Hoje compreendo que cada distância me trouxe motivos para me reaproximar de todos os que um dia deixei para trás. É uma nova vida que cada um me ajudou a construir motivando, palpitando, incentivando, brigando, se afastando. Todos esses loiros, morenos, branquinhos, negros, magros, bailarinos, gordinhos, mestiços, cada um com sua individualidade colaborou tanto para o que sou agora, que se eu não falar me culparei o resto da vida por não ter agradecido pela reforma que fizeram em mim. A fachada tá pintando ainda, tem que mudar algumas coisas, mas por dentro tá tudo certo. Coração no lugar, esperança num local bem amplo pra nunca desistir. Sorriso sobrando, varanda para a brisa de domingo, nada de cômodo apertado criando dor aqui. Nada disso. Hoje digo que a minha construção foi a obra de que mais me dá orgulho apreciar. E olha, foi difícil construir. Um aqui, outro ali. Arquiteto errado, projeto errado. Quase arruinei tudo diversas vezes. Mas estavam lá eles, os meus melhores arquitetos, engenheiros e decoradores. Juntos, mesmo trabalhando individualmente, formaram uma obra digna de apreciação.
Esses profissionais em iluminar sorrisos fizeram de mim algo que não existe palavras para explicar. Hoje, orgulhosa do que sou, agradeço ao suor de cada um, que com esforço aturou, levantou, discordou. Amigos, mas que barra enfrentaram. Descanso agora, porque dias ruins todo mundo tem. Mas com vocês eu consigo suportar.
Deixo claro que essa obra nunca terminará suas reformas já que é preciso sempre se atualizar, porém declaro terminado o período de poeira. Tá tudo tão certo, a vida apesar de corrida, tão mansa. Coração livre, sorriso estampado, sem angustias.
Somos todos um. Uma empresa em construção.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Em obras.

[Escrito em 20 de fevereiro de 2010]

Eu vou viver por mim. To deixando o passado arquivado na memória. Vou sair por aí captando novos sorrisos, novas sintonias. Quero novas emoções. Essa coisa de mexer em arquivo morto traz muita poeira pra nossa cabeça e ninguém aqui tá afim de ficar doente por remexer no passado. É a melhor coisa. Aceitar o fim. Aceitar o começo. Encarar a mudança. Esqueça o sacrifício de empilhar as caixas e organizar por cores as gavetas. Pense que o trabalho gasto será tempo ganho em alguma hora da nossa vida. Hoje eu to mesmo afim de viver diferente de tudo o que eu já vivi. É tanta coisa diferente que o meu grande medo deixou de ser medo de tão grande que é. Passou a ser ansiedade, vontade de descobrir. Quero encarar tudo melhor. Quero poder melhorar cada vez mais a minha ficha para que outras pessoas consigam querer comprar meus sorrisos. Estou em reformas.
Não significa que estou inabitável, apenas estou me remodelando para agradar outro tipo de público alvo. Já disse que essa história da mesmice incomoda né? Era legal antes quando a vida era chata e o nascer do sol brilhava sempre na janela. Agora que eu acordei e vi o céu encoberto percebi que está na hora de mudar a janela de lugar. Estou mudando de vista para que eu tenha um novo paradigma do que me cerca. Quero coisas belas, flores no canteiro, o céu azul e o arco Iris depois da chuva. Quero frio com sol, beijo sabor morango, abraço substituindo o moletom. Troca a cortina, pinta a fachada, quebra uma parede aqui e coloca outra ali. Pode ser que demore, pode ser que não. Nunca se sabe por quanto tempo uma obra fica ativa. Só se sabe que, se existe uma obra, é porque a reforma está sendo feita para melhorar, nunca para piorar. Olhe a mudança como forma positiva. Se estranhar mas aceitar com certeza será fácil encantar os olhos que ainda não conhecemos. Vamos atrair mais admiradores porque todo mundo precisa é de auto-estima. Mas a reforma serve principalmente para melhorar nosso interior, a gente pinta a fachada só pra anunciar a mudança, o restante, só invadindo o lado de dentro pra saber.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O que fica no caminho

É quando a gente se acomoda que percebe que alguma coisa está errada. Falta o afago nos cabelos e o jeito de segurar sua mão quando a dor te domina. Não que sua vida esteja uma droga sem ninguém pra te acompanhar, mas é que quando a gente se acomoda, sente falta daquilo que era sempre uma surpresa.
Sabe aquela sensação de sair de casa e deixar o cãozinho triste te esperando retornar. Então quando você abre a porta de casa, mesmo sabendo que ele estará la te esperando com o rabinho balançando todos os dias da mesma maneira, seu coração fica feliz de ver que ele te aguarda desesperadamente para ganhar um carinho, deitar no sofá ao seu lado enquanto você fica mudando de canal na tentativa de encontrar alguma coisa que preste na televisão.
É disso que sentimos falta. Quando sabemos que tem gente nos aguardando e mesmo assim somos surpreendidos todas as vezes com um sorriso cada dia diferente, com os olhos cada dia mais radiantes. E quando não temos isso, aos poucos vamos nos esquecendo de como era bom se deparar com aquela recepção tão surpreendente.
Hoje quando a gente para e pensa que a vida era boa e a gente reclamava e que hoje não temos metade do que tínhamos dá aquele aperto bem devagarinho que até parece que veio só pra cutucar a vida, porque tava tudo em paz. Se não fosse aquela noite e aquele olhar e aquele abraço, tudo estaria no lugar. Se não fosse, mas é. Não tem como prever o que acontece a cada vez que cruzam esses nossos caminhos sempre tortos. É uma grande surpresa, da mesma maneira que foram todas as vezes em que ele esperava com um sorriso estampado na cara e um coração de asas abertas a te fazer voar.
Faz falta a sensação de despencar do penhasco e sentir o vento no rosto e cair num colchão de nuvens e sair sem nenhum arranhão. Faz falta mas a vida é tão engraçada que hoje se a gente pular é capaz de nunca mais voar. Esses caminhos são desertos, fechados e a gente nunca sabe onde vai dar!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Acrescenta mais pimenta que essa vida tá muito sem sabor.

Um dia desses me perguntaram por que eu tinha parado de escrever. Na falta da resposta aleguei a falta de tempo, mas pensando nisso mais tarde descobri que tinha tempo, tempo de sobra pra pensar no porquê eu não escrevia mais e em tantas outras questões e, se tinha tempo para ficar perdendo tempo pensando, então sim, eu tinha tempo para escrever. Matutei então por que havia parado de escrever. Não cheguei a nenhuma conclusão.

Neste instante me veio a vontade e para não perder nada, cá estou. Vejo que por diversos momentos deixei aos ares histórias, fatos, ideias, súplicas e tantos outros acontecimentos por não traduzir em palavras as sensações sentidas na pele. Foi mesmo muita vida sem vida porque as páginas que deveriam conter emoções estavam em branco. Como um conto de fadas sem fadas, ou então acarajé sem pimenta.

Vim então acrescentar mais pimenta nessa vida, que ela tá muito sem sabor. Vim contar o quanto é chato fazer algo que não gostamos e que é pior ainda fazer algo que não gostamos se as pessoas ao redor deixam isso mais desagradável. E que a melhor sensação do mundo é se sentir prestativa, útil. Melhor que se sentir amada, ou não. Tá no mesmo nível. Mas melhor do que a sensação de realização não há. Com certeza essa bate o amor, o afeto, a felicidade. Realização é um mix disso tudo e por isso é maior. É comida baiana apreciada em todo o mundo e mesmo assim nem todo mundo sabe degustar.

Viver, entre outras teorias encontradas em enciclopédias, vai muito além de estar vivo. Viver não é só o coração batendo e seu cérebro funcionando. Viver é sorrir, enfrentar, batalhar, não se satisfazer, buscar a melhora, reconhecer o erro, acertar, inovar, nunca parar de inovar. Viver é realizar. Qualquer fato que se concretiza, não está por fim terminado. Tarefa cumprida nem sempre é sinônimo de tarefa realizada. Viver é buscar a realização.

É igual pimenta, comida baiana, conto de fadas. Existem vários tipos, paladares, personagens, mas na essência, quando sabemos degustar, todos eles nos levam à pensar que nunca sabemos o que é, mas alguma coisa nos faz sorrir assim que o cérebro recebe o sinal de que captamos corretamente a mensagem.

É o que disse. Não sei por que não escrevia, talvez não estava conseguindo digerir corretamente as mensagens que as coisas estavam me mandando.